quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

FELIZ ANO NOVO



Francês: Bonne Année

Alemão: Frohes neues Jahr

Búlgaro: Честита Нова Година (Chestita Nova Godina)

Catalão: Bon any nou

Dinamarquês: Godt Nytår

Espanhol: Feliz Año Nuevo

Esloveno: Srečno novo leto

Esperanto: Feliĉigan Novan Jaron

Hebraico: Shaná Tová

Inglês: Happy New Year

Italiano: Buon Anno – Felice Anno Nuovo

Japonês: (akemashite omedetou gozaimasu)

Lituano: Laimingų Naujųjų Metų

Neerlandês: Gelukkig Nieuwjaar

Polaco: Szczęśliwego nowego roku

Russo: Счастливого Нового Года {Schastlivovo Novovo Goda}

Sueco: Gott nytt år

Coreano: Sung Tan Chuk Ha


Que tenhamos um lindo 2010... só com ótimas notícias!

domingo, 27 de dezembro de 2009

RUMO A PARIS

A minha avó foi uma pessoa linda em todos os sentidos. Com certeza vocês ainda vão ler muita coisa sobre ela aqui no Revivendo a Poesia. Agora que estou preparando a nossa viagem de lua-de-mel por Paris e Roma, não consigo parar de pensar nela e na minha mãe. É que tem uma história muito linda entre elas, sobre viagem e preparação de viagem. E, nessa história, tem uma passagem que talvez seja a mais cheia de amor e carinho que já escutei.

Quando éramos pequenos, pelo menos duas vezes por mês, íamos para Poconé - cidade onde nasceu a minha mãe, minha avó morou até morrer, meu primos moravam e que até hoje moram duas tias e seus respectivos maridos e alguns amigos. Poconé é uma cidadezinha do interior do Mato Grosso, que fica à uns 100 km de Cuiabá - capital do estado e cidade onde nasci e vivi até os 29 anos. É conhecida como Cidade Rosa por causa da manga rosa e é também o Portal do Pantanal Mato-grossense.

Então, todas as vezes que íamos para Poconé chegávamos de surpresa. Minha mãe achava que era mais legal, que a minha avó ficava mais feliz porque a gente chegava de supetão. É verdade, minha avó ficava muito feliz com a nossa chegada, porque enchíamos a casa e éramos os netos que moravam longe. Não que Vovó Oneide amasse mais a gente do que os outros quatro netos que moravam lá. Longe disso, ela era a pessoa mais justa deste mundo. Tinha amor para todos!

É, mas minha avó ficava feliz com a nossa chegada, não com a surpresa. Ela dizia: "Nenena (apelido da minha mãe, que se chamava Eloisa Elena), se você me avisa com antecedência que virão pra cá, já começo a sonhar com isso a partir desse momento. Fico mais feliz e sinto vocês mais perto! Já vivo a chegada de vocês." Não é lindo?

Pois é, agora sinto tudo isso me preparando pra esta viagem de lua-de-mel! Toda essa pesquisa de roteiros, transporte, hotel, curiosidades... todos esses preparativos já nos fazem viajar, já nos coloca no nosso destino. E o sonho já é mais real, mais palpável! Então nestas três semanas que antecedem a nossa viagem, já estamos sonhando acordados com ela!

Paris e Roma, estamos chegando!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

NATAL


Não gosto muito do Natal. A data lembra família e eu já não tenho uma parte muito importante dela. A outra mora longe. Então não é um dia dos mais legais pra mim e depois que eu vim morar em Brasília, há 8 anos, praticamente passei todos os Natais sozinha. Mas aqui mesmo nesta Brasília que muitos dizem ser fria, impessoal, eu descobri que os amigos verdadeiros são a família que a gente escolhe neste plano. Por isso, ultimamente tenho passado Natais um pouco mais animados. Até visita de Papai, ou melhor, Mamãe Noel já fiz e fiquei tão leve e satisfeita.

A gente deve aproveitar esta época do ano pra pensar em tudo que já fez pelos outros e não só fazer porque é Natal. Esses sentimentos que só temos no Natal - solidariedade, amor ao próximo, carinho, perdão, alegria, companheirismo, união, - têm que ser cultivados o ano inteiro e por toda a nossa vida. O mundo seria tão melhor se a gente fizesse o bem sempre, principalmente com quem está ao nosso lado. Então vamos cuidar direitinho das florzinhas que nos acompanham por esta nossa vida, porque só assim faremos deste, um mundo realmente melhor. Vamos regar nosso jardim com água super vitaminada pra que as nossas plantinhas nunca murchem, nem morram!

Um Feliz Natal pra nós todos e um 2010 com cheiro de café fresquinho, baunilha, chuva no asfalto, bolo de avó, colo de mãe e de pai, abraço de amigo e beijo de quem a gente ama!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

AS BRASAS

Compartilho com vocês hoje uma descoberta. Um autor que ainda não conhecia e a quem fui apresentada pela atendente da livraria Cultura aqui de Brasília. Os que me conhecem sabem que devoro livros. Leio no mínimo de 2 por mês. Quando estou em semana de folga, ou de férias, esse número pode até dobrar. Pois é, amo mesmo ler! E adoro ser apresentada a novos escritores. Não só novos porque estão começando agora, mas também novos pra mim. Desde a adolescência sempre fui encantada pelos escritores e poetas de língua latina: José Saramago, Pablo Neruda, Isabel Allende, Carlos Ruiz Zafón, J.J. Benítez, Mário Vargas Llosa, Gabriel García Márquez, Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes, Clarice Lispector, Cecília Meireles, Ruy Castro, Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, entre outros. Era meio avessa a ler autores americanos, ingleses, russos, alemães... Não sei porque, mas achava que eles não tinham a mesma paixão para escrever que os nossos de língua latina. Sei lá, acho que era coisa de adolescente. Com a maturidade veio também a vontade de experimentar o novo - o novo pra mim. Comecei com Ian McEwan, Le Clézio, depois as belíssimas obras de Orhan Pamuk, que quase fiquei sem fôlego lendo, porque começava e não queria parar. 

Agora, como já havia mencionado, fui apresentada à Sándor Márai. Amei! Simplesmente o livro As Brasas tem um texto primoroso, delicado, sensível... Já postei um trecho dele aqui, no Revivendo a Poesia, sobre a amizade. Márai morreu em 1989 - suicidou-se com um tiro de revólver. Ele era húngaro e As Brasas ficou censurado em seu país de 1942 - data da publicação - até 1990. Digamos que Sándor Márai foi redescoberto agora e suas obras estão sendo publicadas em vários países. 

Quem se aventurar a ler As Brasas certamente vai conhecer um pouco da personalidade forte e inquieta de Márai. Ele, segundo Marinella d'Alessandro (tradutora das obras de Márai para o italiano), tinha um profundo mal-estar existencial que nunca o abandonou. Talvez esteja aí a minha identificação com Sándor Márai e sua obra - somos um pouco parecidos nesse mal-estar que não sei explicar o porquê nem de que. No livro, quando o velho general solitário e rancoroso, Henrik, começa o seu monólogo, indaga e também dá muitas respostas sobre a vida e o Homem. Para Henrik, que esperou 41 anos por uma revanche contra seu melhor amigo, "o homem compreende o mundo um pouco de cada vez e depois morre". Espero que um dia eu possa entender pelo menos o meu mundo, antes da dona Morte chegar!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

DONA DA VERDADE

O momento é de paciência e de espera, de se colocar na posição de escutar, observar, ao invés de ter certeza demais das coisas. Todos nós, em geral, tendemos a uma posição de “certeza absoluta”, como se a verdade fosse sempre nossa. Temos que, finalmente, nos permitir um esvaziamento de nossos pontos de vista mais arraigados. Isso é libertador, pois se relacionar envolve e demanda a morte de certezas absolutas, para que assim possamos admirar a verdade que surge do outro, não necessariamente para torná-la maior do que as nossas próprias, mas para que possamos ver o outro como um outro e não como uma extensão de nossos desejos e vontades. Vivemos num mundo tão absorvente, tão vertiginoso, que acabamos esquecendo de escutar.

Esse texto eu recebi no meu e-mail. Quase nunca leio spam. Mas esse, em especial, antes de deletar, resolvi dar uma olhadinha. Acho que foi escrito pra mim, para me ajudar a deixar as máscaras que "acho" que me protegem. Preciso aprender a escutar e aceitar outras verdades que não as minhas. Tenho que parar de pensar que sou a dona dela, essa senhora que muitas vezes deixa a gente cega, de nariz empinado. Acreditar que a verdade nos pertence cega e nos deixa arrogantes. Baixe o facho Cris! Escute mais e fale menos. Seja mais Cris e menos personagem. Você não precisa mais se esconder.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

VIVER NO SENTIDO AMPLO DA PALAVRA

"Estar vivo é o grande milagre. Você não precisa de mais nada para se sentir a pessoa mais feliz do mundo!"

Outro dia eu escutei essa frase e não concordo com ela. A gente precisa de muito mais, ma
s muito mais sim pra ser a pessoa mais feliz do mundo. Tudo bem, estar vivo é um grande milagre. Mas o estar vivo compreende muito mais coisa do que respirar, ter o coração batendo, sangue correndo pelas veias, acordar, dormir...

Estar vivo não é só isso. Porque senão quem está deitado no leito de um hospital respirando, coração batendo, teria que ser a pessoa mais feliz do mundo - e a gente sabe que não é!

Viver, no sentido amplo da palavra, depende da gente. O ser feliz é consequência dos caminhos que a gente escolhe para esse nosso viver. Se apenas vivemos sem fazer nada para que o nosso viver e o de outras pessoas que nos cercam seja um viver melhor, só iremos passar por esta vida.


Viver não é uma obrigação. Não é só como ter que acordar todos os dias, trabalhar pra ganhar dinheiro e poder comer, vestir... Ninguém pode se esquecer de que o seu viver reflete no viver de outras pessoas. Se o seu viver não está legal isso atinge quem te cerca. Não adianta só enfrentar mais um dia. Não é assim. A felicidade se conquista.

Sim, a luta é diária, mas o prazer, como o amor e a troca desse sentimento, também.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

AMIGOS

"Viveram lado a lado desde o primeiro instante, como gêmeos no útero materno. Não precisaram fazer pactos de amizade como costumam fazer os garotos dessa idade, que se lançam com paixão e ostentação a rituais ridículos e solenes, dessa forma inconsciente e grotesca com que o desejo se manifesta entre os homens, quando decidem pela primeira vez arrancar do resto do mundo o corpo e alma de outra pessoa para possuí-la com exclusividade. O sentido do amor e da amizade estava todo ali. A amizade deles era séria e silenciosa como todos os grandes sentimentos destinados a durar uma vida inteira. E como todos os grandes sentimentos, também continha certa dose de pudor e culpa. Ninguém pode se apropriar impunemente de uma pessoa, subtraindo-a de todas as outras."

Sándor Márai - As Brasas (1942)

Então, pra não vivermos impunemente, em vez de subtrairmos uma pessoa das outras, que tal somarmos? Quem sabe a conta não fica perfeita! Pra mim, ser amigo é sempre, mas sempre mesmo, somar, crescer, ampliar...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

...


"A natureza lhe deu o rosto que você tem aos 20 anos. Cabe a você merecer o que terá aos 50."
Coco Chanel

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

...

"Talvez a velhice e o
medo me enganem,
mas suspeito que a espécie
humana - a única -
está em vias de extinção
e que a Biblioteca
perdurará: iluminada,
solitária, infinita,
perfeitamente imóvel, 
armada de volumes
preciosos, inútil,
incorruptível, secreta."

Jorge Luis Borges - A Biblioteca de Babel (1941)

domingo, 25 de outubro de 2009

QUERO

Carlos Drummond de Andrade

Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

do livro As impurezas do Branco, 1973


Essa linda poesia, do mais lindo ainda Drummond, eu recebi esta semana da minha também linda amiga Dani. Ela me enviou por e-mail e escreveu apenas isto: sua cara!
Realmente, minha cara e a cara do Revivendo a Poesia. Essa poesia, que não me lembrava de ter lido antes - e olha que amo Drummond e leio desde que me entendo por gente -, diz tudo, e diz à exaustão, porque é muito bom dizer EU TE AMO e é muito bom ouvir EU TE AMO. Mas não esse EU TE AMO da boca pra fora, que agora é moda entre os adolescentes. O EU TE AMO gostoso de ouvir é aquele dito não só com a boca, mas com o corpo todo. Sim, com o corpo todo, porque o corpo diz muito mais que a boca. E esse EU TE AMO, dito com o corpo todo, eu tenho o privilégio de dizer todos os dias e de ouvir também de 5 em 5 minutos. Quero dizê-lo e ouvi-lo sempre, até quando estiver bem mais velhinha que hoje, voz rouca, trêmula, ouvido curto... mas ainda quente de amor!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

ALIANÇA DE VIDA



Foi assim não só porque Deus quis que fosse. É assim, agora, porque trabalhamos para chegar até aqui. As conquistas foram estudadas, discutidas e “conquistadas” juntos. O meu lugar não só na nossa cama, mas no coração dele foi sendo ocupado devagarzinho, passo a passo. Sabia que era ele e que era questão de tempo tê-lo mais uma vez, agora nesta vida. Foi o que aconteceu.

Hoje, esta aliança – não a de ouro branco que carrego na minha mão esquerda, réplica da dos seus pais, mas a da nossa vida -, preencheu todos os espaços vazios que foram deixados nesta e em outras estadas aqui. Eu reencontrei o Amor das minhas vidas, meu caminho, meu pouso feliz. Corpo e alma estão juntos novamente num santuário inimaginável, mas real, muito real: o Amor!

domingo, 20 de setembro de 2009

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

MONSTRO INDECIFRÁVEL

"Que espécie de bicho é este: mãe. Se eu fosse apenas uma mulher, talvez conseguisse manter minhas opinões intactas do berço ao túmulo, mas sou mãe, do planeta Maternidade, um monstro indecifrável, que ora acarinha e ora rebate, que não mantém muita coerência com o que diz e faz, uma esquisitona entre os mortais."

Esse texto foi tirado do livro Tudo que eu queria te dizer - de Martha Medeiros. Tem tudo a ver com o momento que passo com um filho adolescente, que - por conta disso mesmo, adolescência - acha que é o dono do mundo e que sabe mais do que todos. Já fui adolescente, há séculos - claro -, mas não me lembro de ser assim, ou não me lembro de ser "tão" assim. Mas nunca me esqueci da minha mãe dizendo: "Ser mãe é padecer no Paraíso." Agora entendo o que ela queria dizer, e tenho certeza que ela também se sentia assim, como nesse trecho do livro da Martha.


Então, minha linda mãezinha, é pra você que dedico esse texto. Tenho certeza que daí de onde está, também está um pouco aqui comigo neste meu momento tão antagônico, que hora é de felicidade estonteante e hora de tristeza explosiva. Afinal, sou mãe, este monstro indecifrável.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

TRISTEZA

Já dizia o poeta: "Tristeza não tem fim, felicidade sim." Não concordo, pelo menos comigo essa história não funciona. É engraçado, não sei se com você acontece assim também. Mas muitas vezes eu estou super cansada, triste, chorando de sei lá o que, mas ao mesmo tempo paro e penso: "Nossa, o que está acontecendo comigo, eu sou feliz, estou feliz, mas estou triste ao mesmo tempo? Como isso é possível?"


Pois é, isso é possível. Pelo menos comigo é. Tem dias em que eu acordo triste, muito triste mesmo, com uma tristeza que parece que não vai sair de dentro de mim. Dá vontade de me fechar em mim e me perder, para nunca mais ser achada, nunca mais falar, nunca mais rir. Só tenho vontade de chorar, ficar sozinha, não sair da cama. É como se a tristeza fosse tomar conta de cada pedaço meu.

Mas sabe como é que ela não assume o meu corpo? Porque percebo que muitas vezes toda essa tristeza está relacionada ao cansaço. É como se o meu corpo confundisse as duas coisas e não conseguisse separá-las. Tristeza e Cansaço são diferentes, mas meu corpo não aceita e cobra de mim uma conta que não quero pagar. Ele – meu corpo – me faz chorar, me faz ficar mal humorada, me dá olheiras, me dá dores, me dá uma carga que, tem horas, parece que não vou suportar. Daí eu penso: “Mas não é ele, sou eu. Eu estou fazendo o meu corpo receber uma carga muito maior que o limite aceitável. Não posso fazer isso, tenho que continuar minha vida sendo feliz e tentar não me esgotar.”

E é isso, essa consciência que me faz levantar, trabalhar, sorrir, não tombar e também chorar, porque faz parte, limpa os canais, renova a alma. Ficar triste é perfeitamente compreensível nesta vida que vivemos. Mas tristeza tem fim sim, e ponto final.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

...

“Eu resisto e sei que vou morrer na esperança, dentro da esperança: é preciso explicar porque o mundo de agora, que é horrível, não passa de um momento no longo desenvolvimento histórico. Ainda vivo profundamente a esperança como concepção do futuro.”
Jean-Paul Sartre
Testamento Político
24 de março de 1980

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

UM CAPÍTULO PARA O EVANGELHO

Para quem gosta de Saramago, hoje eu descobri o blog do escritor português, O Caderno de Saramago. Para minha surpresa deparei-me com um capítulo extra do livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo. O melhor de tudo, a narração da história é de Maria Madalena. Para quem é apaixonado por Saramago ou tem curiosidade em conhecer um pouco da sua obra aqui está. Leia o texto aqui no Vivendo e Aprendendo, e depois dê uma passadinha lá no blog do Saramago, vale a pena.


por José Saramago
"De mim se há-de dizer que depois da morte de Jesus me arrependi do que chamavam os meus infames pecados de prostituta e me converti em penitente até ao fim da vida, e isso não é verdade. Subiram-me despida aos altares, coberta unicamente pela cabeleira que me desce até aos joelhos, com os seios murchos e a boca desdentada, e se é certo que os anos acabaram por ressequir a lisa tersura da minha pele, isso só sucedeu porque neste mundo nada pode prevalecer contra o tempo, não porque eu tivesse desprezado e ofendido o mesmo corpo que Jesus desejou e possuiu. Quem aquelas falsidades vier a dizer de mim nada sabe de amor. Deixei de ser prostituta no dia em que Jesus entrou na minha casa trazendo-me a ferida do seu pé para que eu a curasse, mas dessas obras humanas a que chamam pecados de luxúria não teria eu que me arrepender se foi como prostituta que o meu amado me conheceu e, tendo provado o meu corpo e sabido de que vivia, não me virou as costas. Quando diante de todos os discípulos Jesus me beijava uma e muitas vezes, eles perguntaram-lhe porque me queria mais a mim que a eles, e Jesus respondeu: “A que se deve que eu não vos queira tanto como a ela?” Eles não souberam que dizer porque nunca seriam capazes de amar Jesus com o mesmo absoluto amor com que eu o amava. Depois de Lázaro ter morrido, o desgosto e a tristeza de Jesus foram tais que, uma noite, debaixo do lençol que tapava a nossa nudez, eu lhe disse: “Não posso alcançar-te onde estás porque te fechaste atrás de uma porta que não é para forças humanas”, e ele disse, queixa e gemido de animal que se escondeu para sofrer: “Ainda que não possas entrar, não te afastes de mim, tem-me sempre estendida a tua mão mesmo quando não puderes ver-me, se não o fizeres esquecer-me-ei da vida, ou ela me esquecerá”. E quando, alguns dias passados, Jesus foi reunir-se com os discípulos, eu, que caminhava a seu lado, disse-lhe: “Olharei a tua sombra se não quiseres que te olhe a ti”, e ele respondeu: “Quero estar onde estiver a minha sombra se lá é que estiverem os teus olhos”. Amávamo-nos e dizíamos palavras como estas, não apenas por serem belas e verdadeiras, se é possível serem uma coisa e outra ao mesmo tempo, mas porque pressentíamos que o tempo das sombras estava a chegar e era preciso que começássemos a acostumar-nos, ainda juntos, à escuridão da ausência definitiva. Vi Jesus ressuscitado e no primeiro momento julguei que aquele homem era o cuidador do jardim onde o túmulo se encontrava, mas hoje sei que não o verei nunca dos altares onde me puseram, por mais altos que eles sejam, por mais perto do céu que alcancem, por mais adornados de flores e olorosos de perfumes. A morte não foi o que nos separou, separou-nos para todo o sempre a eternidade. Naquele tempo, abraçados um ao outro, unidas pelo espírito e pela carne as nossas bocas, nem Jesus era então o que dele se proclamava, nem eu era o que de mim se escarnecia. Jesus, comigo, não foi o Filho de Deus, e eu, com ele, não fui a prostituta Maria de Magdala, fomos unicamente aquele homem e esta mulher, ambos estremecidos de amor e a quem o mundo rodeava como um abutre babado de sangue. Disseram alguns que Jesus havia expulsado sete demónios das minha entranhas, mas também isso não é verdade. O que Jesus fez, sim, foi despertar os sete anjos que dentro da minha alma dormiam à espera que ele me viesse pedir socorro: “Ajuda-me”. Foram os anjos que lhe curaram o pé, eles foram os que me guiaram as mãos trementes e limparam o pus da ferida, foram os que me puseram nos lábios a pergunta sem a qual Jesus não poderia ajudar-me a mim: “Sabes quem eu sou, o que faço, de que vivo”, e ele respondeu: “Sei”, “Não tiveste que olhar e ficaste a saber tudo”, disse eu, e ele respondeu: “Não sei nada”, e eu insisti: “Que sou prostituta”, “Isso sei”, “Que me deito com homens por dinheiro”, “Sim”, “Então sabes tudo de mim” e ele, com voz tranquila, como a lisa superfície de um lago murmurando, disse: “Sei só isso”. Então, eu ainda ignorava que ele fosse o filho de Deus, nem sequer imaginava que Deus quisesse ter um filho, mas, nesse instante, com a luz deslumbrante do entendimento pelo espírito, percebi que somente um verdadeiro Filho do Homem poderia ter pronunciado aquelas três palavras simples: “Sei só isso”. Ficámos a olhar um para o outro, nem tínhamos dado por que os anjos se tinham retirado já, e a partir dessa hora, pela palavra e pelo silêncio, pela noite e pelo dia, pelo sol e pela lua, pela presença e pela ausência, comecei a dizer a Jesus quem eu era, e ainda me faltava muito para chegar ao fundo de mim mesma quando o mataram. Sou Maria de Magdala e amei. Não há mais nada para dizer."

Para ler este texto no blog do autor, clique aqui.

VESTIDO DE NOIVA


Naquele dia ela acordou cedo, mais que o de costume. Deu um beijo nele e saiu bem de mansinho do quarto para não o acordar. Era um dos dias mais importantes da vida dela. Depois de dois anos de namoro e oito meses morando juntos, finalmente eles iriam se casar. Já estava tudo pronto: festa, convidados, papéis do casamento civil, passagens compradas..., mas ela ainda não estava certa quanto a uma única coisa - o vestido de noiva. Foram meses de procura pelo modelo ideal e de muitas dúvidas. Para ela, aquele vestido era mais que uma roupa. Mas dentro dela alguma coisa dizia que faltava algo, um sei lá o que de não palpável.

Na noite anterior, ele tinha preparado uma surpresa para ela. Trouxe lindas rosas amarelas e falou bem baixinho no ouvido dela o quanto a amava e o quanto o fazia feliz. Ela, como sempre, abriu aquele largo sorriso e apertou-o contra o peito como se quisesse vesti-lo. Tiveram uma linda noite de amor. Suave, doce, intensa e flutuante.

Quando na manhã seguinte saiu do quarto e passou pela sala, esbarrou no vaso de rosas amarelas e arranhou-se nos espinhos da flor. Aquele sangue foi como um clarão na sua mente. Lembrou-se da reação que o toque dele causava em seu corpo. Da sensação do tudo, do muito, num breve esbarrar. E entendeu o que faltava, o que queria. Não era o modelo do vestido, nem a cor, era o impacto desse vestido em seu corpo. Ela queria vestir a alma, não o físico. Queria tê-lo como sua segunda pele naquele dia. Queria entrar nele e sentir as mesmas sensações que ele sentia. Queria sorrir o sorriso dele. Queria cada pedacinho do seu amado sussurrando: "Eu não quero sair daqui. Não quero sair do seu corpo." Então ela descobriu o que queria. Era vestir-se do "Amor das suas vidas" e nunca mais trocar de roupa.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

LOS IMPRESCINDIBLES

Hay hombres que luchan un día y son buenos.
Hay otros que luchan un año y son mejores.
Hay quienes luchan muchos años 
y son muy buenos.
Pero hay los que luchan toda la vida: esos son los imprescindibles. 
Bertolt Brecht
Eu escutei esse lindo poema quando niña na voz de Mercedes Sosa. Na época, eu nem entendia, mas me tocava. E a lembrança é linda... escutar a deusa Sosa ao lado de outra que era a minha mãe. Depois de mais velha descobri de quem era e o que realmente significava. Amei ainda mais. E a lembrança está guardada para sempre. Dedico a todas as mulheres e homem que lutam por toda uma vida... nosotros!


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

CORAGEM

"A vida é assim: esquenta e esfria, aperta, daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem." Guimarães Rosa

O JARDINEIRO E A FLOR


As pessoas dizem que "encontram" o amor, como se o amor fosse um objeto escondido atrás de uma pedra. Mas o amor assume muitas formas, e nunca é o mesmo para cada homem e cada mulher. O que as pessoas encontram, então, é um certo tipo de amor.

O amor como a chuva pode se nutrir do alto, deixando os casais encharcados de alegria. Às vezes, porém, na dura batalha da vida, o amor seca na superfície e é obrigado a se nutrir do chão, sugando com suas raízes para se manter vivo.
Esses dois trechos eu tirei também do livro As cinco pessoas que você encontra no céu, de Mitch Albom, que já terminei de ler. São também dois pedaços do livro que me fizeram parar e pensar, pensar bastante sobre o amor. Eu acho que o amor está dentro da gente, e que antes de tentarmos "encontrar" a personificação desse amor, que seja atrás de uma pedra, temos que nos amar primeiro. Um amor pleno, seguro. Aí sim, nós vamos conseguir amar outra pessoa e nos deixar sermos amados. São vários tipos de amor. Ninguém ama igual, isso é fato. Existe o amor agradecido, profundo, silencioso, platônico, suave, e outros mais. Mas todos eles têm que nos fazer bem, senão não vale a pena, não é mesmo?

O segundo trecho tem tudo a ver também, principalmente pra quem é casado, ou já foi, ou namora há muito tempo. Enfim, no início é tudo lindo, intenso, novo. Mas depois o dia-a-dia rouba um pouco dessa beleza inicial e temos que alimentar esse amor para que o relacionamento continue nos fazendo bem. Eu sempre brinco dizendo que o amor, o relacionamento, é como uma florzinha que precisa ser regada todos os dias, todas as horas, porque senão ela murcha e morre. Eu até apelidei o namorado de uma amiga de jardineiro porque ele cuida desse amor. Mesmo morando longe ele se faz presente com pequenos gestos, e é assim que temos que ser com quem amamos. Mas também ela faz por merecer, além de ser uma flor linda de viver, retribui a altura. Alimenta esse amor com água vitaminada e com um regador gigante, que tem alcance de mais de mil quilômetros. O jardineiro mora no Rio de Janeiro e ela aqui em Brasília.

Todos essas formas de amar e de cultivar esse amor não servem só para os amantes, serve também para regarmos os amigos e a família, os nossos companheiros nessa grande jornada que é a Vida. Como diz o Mitch Albom: "Cada vida afeta a outra, e a outra afeta a seguinte, e o mundo está cheio de histórias, mas todas as histórias são uma só".

sábado, 1 de agosto de 2009

MEDO

Essa palavrinha pequena causa um estrago tão grande na nossa vida!

Escutei de uma amiga esta semana: “Não quero entrar nesse relacionamento porque não sei se vou amá-lo o tanto que ele merece. Não sei se vou amá-lo suficientemente. E se eu não o amar, e ele sofrer?”


Em qualquer relacionamento há riscos. Não só no amor, como em contratos comerciais, no nosso trabalho, no nosso dia-a-dia. Nós nunca temos certeza se realmente vai dar certo. O primeiro passo é querer que dê certo e deixar acontecer.

Nós não temos que nos preocupar com os riscos do outro. Ele é que tem que se preocupar com isso. Somos adultos e temos que saber onde estamos entrando e se queremos entrar. Foi o que disse pra minha amiga. “Se ele está querendo namorar, ele é quem tem que se preocupar com os riscos que irá correr.” 

Se cada um cuidar se si, fizer a sua vida como indivíduo valer a pena, ser feliz vai ser uma questão de tempo. Só assim conseguiremos compartilhar essa felicidade com alguém.

Pense comigo: Quem gosta de ver o amado sofrendo, quebrando a cabeça ou perdendo tempo com coisas que não merecem nem a nossa atenção? Ninguém. Por isso, prepare-se para o amor. Resolva os seus medos e não tenha cautela em arriscar. Certas coisas nesta vida só dependem da gente. Só nós mesmos podemos fazer pela gente. Não devemos projetar a nossa felicidade em outra pessoa. Está aqui dentro, naquela viagem de que já falei. A viagem dentro do nosso Eu.

Por isso, não tenha medo de ser feliz. Não existe hora pra isso. Tem que ser a qualquer hora e sempre. E não duvide quando essa hora chegar. Porque ela vai chegar, e você vai ter que tomar uma decisão. Ser feliz ou continuar nesse mundinho triste e sem graça!

Dê uma chance para o Amor. Tenha cuidado sim, mas não deixe de vivê-lo, não deixe de se arriscar.


Quero deixar aqui, neste post,
uma musiquinha que escutei há algum tempo,
no início do meu relacionamento
com o “Amor das minhas vidas”.
É lindinha e exprime um pouco
o que já escrevi.



PASSOS PELA RUA - MARCELLO MIRA


Enfeitou a casa
Mas não acreditava
Que o amor ainda pudesse chegar
Pela madrugada
Linda ao pé da escada
Esperou sentada pra não se cansar

Passos pela rua, lá vem o amor
Vem cambaleando entra pra um café
Sem carro do ano
Sem anel dourado
Na mão uma rosa
Sapato furado

Passos pela rua, lá vem o amor
Vem sorrindo alto, lá vem o amor
Hoje ela já sabe que o amor é raro
Hoje ela passeia com o amor ao lado

Se liga que lá vem o amor
Abre as portas que o amor chegou
Deixe-se levar enquanto ainda é tempo
Deixe-se levar pra sempre

Passos pela rua, lá vem o amor
Vem sorrindo alto, lá vem o amor
Hoje ela já sabe que o amor é raro
HOJE ELA SE DEITA COM O AMOR AO LADO

AME-SE

Quem disse que pra ser feliz a gente precisa de alguém?
Isso não é verdade, é mito. 
Pra ser feliz a gente precisa da gente mesmo.
Precisa viajar pelo próprio Eu e conhecer cada detalhe íntimo desse Eu.


Vamos, corra! Faça essa viagem e descubra como o Universo conspira para que a gente fique de bem com a vida. Muitas vezes, quando isso acontece, aparece na nossa frente alguém que vai completar essa felicidade. Vai nos ajudar a seguir a caminhada de braços dados com o Amor.

sábado, 4 de julho de 2009

FILMOTECA – PROMESSAS DE UM NOVO MUNDO

HOJE ESTAVA CATALOGANDO OS MEUS FILMES E REENCONTREI UM LINDO DOCUMENTÁRIO: PROMESAS DE UM NOVO MUNDO. É UMA CO-PRODUÇÃO ENTRE ESTADOS UNIDOS, ISRAEL E PALESTINA QUE FOI INDICADA AO OSCAR DA CATEGORIA. GANHEI HÁ UNS TRÊS ANOS, MAS SEI QUE FOI COMPRADO NA BANCA DE REVISTAS. É UMA EDIÇÃO DA ABRIL.JUSTINE SHAPIRO E B.Z. GOLDBERG (UM DELES JÁ MOROU EM JERUSALÉM, MAS AGORA VIVE NOS ESTADOS UNIDOS) ACOMPANHARAM DURANTE TRÊS ANOS VÁRIAS CRIANÇAS JUDIAS, JUDIAS ORTODOXAS, PALESTINAS, CRISTÃS, MULÇULMANAS, REGISTRANDO O QUE PENSAM SOBRE SEU PAÍS, A SITUAÇÃO POLÍTICA, OS PROBLEMAS ENTRE AS NACIONALIDADES. É COMOVENTE E HUMANO, SEM FICAR EM DISCURSOS DEMAGÓGICOS. A SITUAÇÃO É MUITO COMPLICADA NA REGIÃO E O PROBLEMA DE DIFICÍLIMA SOLUÇÃO, MAS AS CRIANÇAS ACEITAM O CONVITE DOS DOCUMENTARISTAS QUE PROMOVEM UM ENCONTRO ENTRE ELAS. DURANTE O BATE PAPO, ACABA SENDO CRIADO UM LAÇO DE AMIZADE. ELAS PERCEBEM QUE TÊM MUITAS COISAS EM COMUM.
PROMESSAS DE UM NOVO MUNDO AJUDA A GENTE QUE VIVE AQUI, DO OUTRO LADO - O OCIDENTAL-, A ENTENDER UM POUCO MELHOR OS MOTIVOS DE TANTA INTOLERÂNCIA ENTRE ESSES POVOS. POVOS QUE ENSINAM SEUS FILHOS A ODIAREM OUTRAS CRIANÇAS, QUE COLOCAM SEUS FILHOS NA GUERRA PARA MATAR E MORRER. VALE MUITO A PENA ASSISTIR, E QUEM TIVER FILHOS, ASSISTA JUNTO COM ELES.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

MULHERZINHA SIM, MAS SÓ HOJE!

Hoje estou me sentindo fatal. É...FATAL!

Estou fora do meu peso, meu cabelo não amanheceu legal, no próximo mês faço 37 anos, já sou sogra e, mesmo assim, hoje me sinto avassaladora. O engraçado é que acordei triste, pensativa, com saudades de nem sei o quê. Mas, quando estava saindo de casa para o trabalho, CLIQUE...fiquei assim como num passe de mágica.

Não me lembro 
de já ter sentido algo parecido. Talvez seja o dia em que tenha me sentido mais mulher em toda a minha vida.


Hoje me darei o direito de comer chocolate, deixar as lágrimas rolarem, permitir que o porteiro abra a porta da redação pra eu entrar, deixar meus amigos mexerem no meu cabelo, não brigar com meu chefe, deixar o "Amor das minhas vidas" puxar a cadeira para eu sentar à mesa. Darei a mim mesma o direito de ser mulherzinha. Mas, só hoje!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

QUERO TE DEVORAR

Pablo Neruda - Cien sonetos de amor

Tengo hambre de tu boca, de tu voz, de tu pelo,
y por las calles voy sin nutrirme, callado,
no me sostiene el pan, el alba me desquicia,
busco el sonido líquido de tus pies en el día.

Estoy hambriento de tu risa resbalada,
de tus manos color de furioso granero,
tengo hambre de la pálida piedra de tus uñas,
quiero comer tu piel como una intacta almendra.

Quiero comer el rayo quemado en tu hermosura,
la nariz soberana del arrogante rostro,
quiero comer la sombra fugaz de tus pestañas

y hambriento vengo y voy olfateando el crepúsculo
buscándote, buscando tu corazón caliente
como un puma en la soledad de Quitratúe.

Tenho fome de tua boa, de tua voz, teus cabelos,
e pelas ruas vou sem me nutrir, calado,
não me sustenta o pão, a aurora me desconcerta,
procuro o líquido som de teus pés pelo dia.
Faminto estou de teu sorriso resvalado,
de tuas mãos cor de furioso celeiro,
tenho fome da pálida pedra de tuas unhas,
quero comer tua pele como intacta amêndoa.

Quero comer o raio queimado em tua beleza,
o nariz soberano do arrogante rosto,
quero comer a sombra fugaz de teus cílios

e faminto venho e vou farejando o crepúsculo
buscando-te, buscando teu coração ardente
como um puma na solidão de Quitratúe


Esse é o meu segundo poema preferido do Neruda. Essa frase pra mim é uma das mais lindas que já li na vida: "busco el sonido líquido de tus pies en el día." Meu Deus!


Tenho vontade de comer o meu amado, mas no sentido literal da palavra. Devorar, arrancar um pedaço e mastigar. Vestir-me dele, como se fosse o meu sobretudo.

terça-feira, 30 de junho de 2009

GRACIAS POR EXISTIR




Antes de você chegar, eu estava assim.
A cidade não tinha a mesma cor de antes.
Não tinha a mesma luz.
Era tudo triste e vazio.
A saudade apertava e doía.


A noite eu relia a sua mensagem:
"To sentindo até dor física de
saudade do meu amor.
Nossa cama tá tão vazia."





A minha vida é que era vazia sem você.
O meu mundo era infinitamente
menos feliz. Você preencheu a minha vida.
Preencheu os meus vazios.
Ensinou-me o sentido de amar.




Depois que você chegou,
a cidade voltou a ter luz, a sorrir,
Voltou a ser colorida!

Gracias por existir!

O TRANSBORDAR DO AMOR

Pasmem!!!!! Este foi o meu horóscopo de hoje.

“A qualidade do momento envolve o transbordar do amor, a erupção intensa, viva, de uma nova experiência afetiva – ou mesmo da renovação da capacidade de amar. O momento promete muitas (boas) surpresas no que diz respeito a descobertas afetivas, dentro e fora de sua alma. O centro do coração se abre e o próprio mundo se revela a você de uma forma que lhe parece nova, mas na verdade se trata apenas de aspectos do mundo que se encontravam ocultos por detrás de um véu que dificultava a percepção. À medida que sua consciência se expande, neste momento, você derrama o amor para o Universo, de uma forma desprendida. Este é o momento do amor pelo amor, a disposição interna de abertura na direção da fascinante proposta de partilhar sua vida com outro ser humano. Tudo isso cria uma atmosfera de magnetismo que propicia o surgir de uma nova relação, ou a renovação de um relacionamento já existente. A realidade é um espelho de nossa disposição de alma e quando o amor flui de nós, a magia acontece! Este é um momento de renovação amorosa e ‘O amor das suas vidas’ em sua vida lhe proporcionará as reflexões necessárias para que você compreenda melhor suas reais necessidades afetivas.”

domingo, 28 de junho de 2009

SÃO JOÃO NO NORDESTE, QUEM VIVEU JAMAIS SERÁ O MESMO

É verdade minha gente. Quem viveu São João no Nordeste nunca mais será o mesmo! É simplesmente lindo e totalmente diferente do que estamos acostumados a viver no Centro-Oeste e até mesmo no Sul e Sudeste. No mês de junho eles respiram isso. Tudo é relacionado a São João. Desde as roupas do dia-a-dia, até a decoração de tudo: casa, hotel, loja, rua. Lá em Aracaju eles vendem até fogueira pronta. Isso mesmo, fogueira pronta. Você vai à feira e escolhe o tamanho, e é só levar. Se quiser eles entregam acesa, brincadeirinha. Ah, no Nordeste, não se toma quentão, a bebida tradicional das festas juninas é o licor. 

A véspera de São João é uma coisa de louco. As pessoas acordam cedo pra comprar as comidas e preparar o banquete da noite. Como em todo Brasil, é tudo derivado do milho e da mandioca. Todo mundo da família ajuda. Só os preparativos já viram uma festa! Sabe o que é mais impressionante ainda? O São João pra eles é como o Natal. Eles desejam "Feliz São João". Em alguns lugares há até troca de presentes. Não é lindo? 

Na noite da virada, de 23 para 24 (dia de São João), você anda pela cidade e, em todas as casas, as famílias estão reunidas em volta da fogueira, escutando forró, ou músicas tradicionais de São João, comendo, bebendo e aproveitando os amigos e parentes.

Confesso que fiquei com inveja dessa gente que sabe manter a linda tradição de reverenciar São João. Lembrei-me muito da minha família que vive lá em Poconé. É, ela existe e é a cidade portal do Pantanal lá em Mato Grosso. Somos descendentes de libaneses. Então já viu né? Todo mundo adora comer e, o melhor de tudo, fazer a comida. 


Quando era festa, ou até mesmo quando a minha mãe avisava que estávamos indo para Poconé - morávamos em Cuiabá -, minha tia Julitinha já providenciava tudo. Botava todo mundo louco atrás das coisas de que ela precisava pra preparar o banquete. Era vovó Oneide, tia Mirú (apelido de tia Miriam), tio Totó (meu padrinho, marido de tia Mirú), até tio Netinho, o marido de tia Dita (isso mesmo, Dita é o apelido do apelido Julitinha, risos), entrava na dança. Quando chegávamos, era uma festa. A cozinha, o lugar mais cheio e gostoso da casa, estava de cabeça pra baixo por causa do tanto de comida "saindo do forno".

Ai meu Deus, quanta saudade de tudo isso! Estou em lágrimas só de escrever. Tia Dita, tia Miru, tio Totó, tio Netinho e toda família, nós estamos chegando. Vivaaaa! Agora a família vai completa, todos vão conhecer o "Amor das minhas vidas", que também é um cozinheiro de mão cheia e ama uma bagunça na cozinha.

Obrigada Aracaju por ter me dado
uma semana tão linda e
por ter me feito recordar
o tanto que família é importante.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

POESIA CUIABANA

Esta eu fiz no primeiro ano da faculdade de Jornalismo, em 1992. A professora Rose, de Língua Portuguesa, deu uma prova em que a gente precisava escrever um texto com linguagem cuiabana. Eu , que amo a minha terra e o jeito de falar do meu povo, fiz uma homenagem em forma de poesia. Até hoje as pessoas lembram dela e, sempre que conto do nosso modo "peculiar" de falar, declamo a poesia. Então vamos a ela. Os que não entenderem, peçam que eu mando a tradução, risos.

NHACÁ MORENINHA LINDA
DOS ÓIO CARAMELADO
VAMO SEPÁ
ATÉ NÓIS SUPITÁ

A LUA TÁ FOVERA
MAS HÁ DE ALUMIÁ
O CHÃO QUE NÓIS VAI DEITÁ

STRUDIA OCÊ QUIRIA SI INROLÁ
AGORA FALA VÔTE PRA LÁ E PRA CÁ
TCHÁ POR DEUS
QUANDÉ QUE NÓIS VAI COXÁ?

domingo, 21 de junho de 2009

SEGREDOS

Às vezes me pego surpresa comigo. É estranho! Sei que me conheço, mas sinto que guardo segredos de mim. Não sei se sou a única a sentir isso. Não consigo identificar se é bom ou ruim, se faz bem ou mal. Só sei que sinto. 

Muitas vezes essa surpresa comigo mesma acontece diante de uma situação. É como se tivesse certeza de que a minha reação pra aquela determinada "coisa" seria um acesso de raiva, por exemplo. Mas daí, pimba, não é nada daquilo. Acho que as minhas reações vêm mudando com o tempo, com a maturidade. Na juventude eu sabia exatamente como agiria. E de certa forma as pessoas já esperavam isso.

Eu era sonhadora, revolucionária. Brigava por tudo, até por coisas em que não havia necessidade. Muitas vezes entrava em briga que nem era minha. Em tudo eu queria tomar a frente, ser a voz mais alta, a única a ter razão. 
Pensava que ainda era assim. Mas percebi que não. Presto mais atenção na hora de falar, ou percebo uma situação em que é melhor não dizer nada. Por incrível que pareça, aprendi a deixar algumas coisas pra depois, sem deixar pra lá.


É incrível como eu fico surpresa com tudo isso. Vejo que aqui dentro ainda existe aquela menina de 15 anos. Mas o mais inacreditável é perceber que aprendi, entendi que não adianta dar "murro em ponta de faca". Eu posso definir uma estratégia para expor o que acho, sem impor o que sinto. Esperar o melhor momento pra dizer o que penso, e pensar melhor antes de "vomitar" meu pensamento.


Isso era um segredo e foi bom decifrá-lo. Mas ainda tenho muitos outros. Talvez alguns eu nunca decifre. Ou talvez alguém os decifre por mim, como já aconteceu.

sábado, 20 de junho de 2009

NERUDA PARA QUEM AMA INTENSAMENTE



Pablo Neruda é sem dúvida o meu poeta preferido no universo. Me inspiro, quando escrevo poesias, na sensualidade das poesias dele. Esta foi tirada do livro Cien Sonetos de Amor, e é a de que mais gosto. No filme Patch Adams - O amor é contagioso, com Robin Williams, a personagem lê essa poesia em cima do caixão da sua amada, no cemitério. Ela foi morta tentando propagar o bem, a caridade, inspirada nele (Patch Adams), mas infelizmente o paciente dela era louco e a matou. No filme eles não dizem de quem é a poesia. Não fazem nenhuma referência ao Neruda. Mas como assídua leitora de tudo dele, tanto em espanhol quanto traduzido, digo que é dele, e que é a mais bela poesia dele.


No te amo como si fueras rosa de sal, topacio
o flecha de claveles que propagan el fuego:
te amo como se aman ciertas cosas oscuras,
secretamente, entre la sombra y el alma.

Te amo como la planta que no florece y lleva
dentro de sí, escondida, la luz de aquellas flores,
y gracias a tu amor vive oscuro en mi cuerpo
el apretado aroma que ascendió de la tierra.

Te amo sin saber cómo, ni cuándo, ni de dónde,
te amo directamente sin problemas ni orgullo:
así te amo porque no sé amar de otra manera,

sino así de este modo en que no soy ni eres,
tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mía,
tan cerca que si cierran tus ojos con mi sueño.




Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo como se amam certas coisas escuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, escondida, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que subiu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem de onde,
te amo diretamente, sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

a não ser deste modo em que não sou nem és,
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha,
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O DEPOIS

Hoje eu chorei, chorei muito quando reli o post do “Antes”. Chorei por dois motivos. O primeiro por lembrar que um dia sofri assim, em segredo. O segundo por alívio, por saber que parte dessa Cris não existe mais, ficou pra trás. Digo parte porque tenho um pouco da Cris do "Antes". Ainda fico triste sem mais nem menos. Mas agora é diferente. Eu já não permaneço muito tempo dentro dessa tristeza e não gosto mais quando ela se aproxima. Antes, por me sentir tão sozinha, eu a deixava chegar e, de certa maneira, gostava disso. A tristeza me fazia companhia. Hoje, não me sinto mais sozinha. Consigo perceber que me isolar no meu “EU”nunca me fez bem. Nisso, recebi a ajuda do "Amor das minhas vidas". Como ele mesmo diz: "O bicho feio já tá rondando. Espanta ele. Não deixa ele se aproximar". E assim vou conseguindo espantá-lo: com Amor. Ainda fico triste é claro. Mas são tristezas passageiras. A tristeza leve faz parte da vida, da conquista. É dentro dela que muitas vezes produzo, descobri e descubro muito da Cris. É dentro dela que cresço, me fortifico, amadureço. Dentro dela descobri meus verdadeiros amigos, que plantaram flores no meu jardim. Mas aquela Cris do “Antes”, que se fechava na sua tristeza criando uma casca para afastar as pessoas, morreu. Foi sepultando essa Cris que reencontrei o "Amor das minhas vidas". Agora consigo abrir o meu diário, reler o passado e deixá-lo em seu devido lugar. Vivo intensamente o presente e planejo o meu futuro. Porque foi nas profundezas do meu próprio eu, na minha imensidão interior, que me conheci verdadeiramente e entendi, que poderia olhar o mundo com olhos de alegria, de amor, tornado-o um lugar mais feliz pra mim e pra quem me rodeia.

O ANTES

Este texto eu escrevi no meu diário em 17 de novembro de 2006:"Quem disse que a vida é fácil? Quem disse isso não deve ter vivido, deve ter passado por esta vida. Não vem me dizer que a vida é fácil e que é a gente que complica. Isso não é verdade. Eu vivo, vivo sim intensamente. Já tentei fazer de tudo pra descomplicar e não consegui. É tudo muito difícil. A gente só devia nascer e ser levado pela vida. Não devia ter que fazer escolhas. Todos deveríamos nascer iguais. Sem diferenças na cor da pele, do cabelo, dos olhos. Tudo deveria ser exatamente igual.
Não quero ter que matar um leão por dia. Tô cansada, muito cansada. Mas sei que não posso desistir. Por isso choro sozinha, escrevo minhas neuras, frustrações. É a minha maneira de desabafar. Não quero parecer fraca, ou 'mulherzinha' como gosto de dizer. Sei que não é fácil pra ninguém e que os meus problemas não são piores que os dos outros, mas são os meus problemas. E tem horas que não quero carregá-los. Mas não desisto!
Quando paro e penso em tudo por que já passei, me dá uma tristeza muito grande, mas também me dá alívio. Não queria ter passado por tudo que passei. Queria que você, Mãe, que pelo menos você ainda estivesse aqui. Quando digo aqui, quero dizer de corpo também. Você não sabe o quanto sinto sua falta. Falta do seu sorriso lindo. Do seu abraço. Ah, que abraço gostoso! Sei que está sempre perto, que continua me dando seus conselhos quando aparece nos meus sonhos. Mas, poxa, sou materialista! Queria poder tocá-la, sentir seu calor, seu cheiro.
Mãezinha, por que tive que passar por tudo que passei nesta vida? Queria tanto que tivesse sido mais fácil, ou menos difícil. Não queria tê-la perdido. Não queria ter perdido a minha filha que sonhei tanto em ter. Não queria ter mudado de cidade e estar tão longe das pessoas que amo. Não queria trabalhar tanto e ficar tanto tempo longe do meu filho. Não queria me sentir só. Como é ruim sentir isso. Como é ruim estar rodeada de gente e me sentir tão vazia, tão sozinha.
Queria tanto ser feliz. Mas o que é ser feliz? Será que eu já fui feliz um dia e não percebi? Será que já passou a minha chance de ser feliz? Não sei, e ninguém vai poder me responder isso. Mas, vou continuar, não tem como ser diferente. Tenho que continuar dormindo e acordando todos os dias. Tenho que continuar matando um leão por dia. Tenho que continuar segurando minha sinceridade várias vezes por dia para não magoar as pessoas. Continuar sendo hipócrita - o que odeio fazer. Mas tem horas que não dá, que explodo! Não consigo ser assim. Tenho que falar, que expor meus sentimentos. Prefiro ser assim a me esconder.
Queria tanto ser feliz! Pena que não existe uma fórmula. Nenhum remédio que a gente tome ao se deitar e no dia seguinte acorde com o coração leve e flutuando de tanta felicidade.
Então vou vivendo assim. Sentindo-me triste e vazia num dia, um pouco feliz no outro. Sozinha num minuto e rodeada de amigos no outro. É assim que vivo. E assim vou seguindo: errando, acertando, aprendendo, triste, feliz, vazia, cheia, sendo eu!"

quinta-feira, 18 de junho de 2009

FAMÍLIA É TUDO

Existem pessoas que nos trazem tranquilidade pelo simples fato de existirem. A simples presença delas nos acalma.
Há cinco anos, quando descobri que meu filho estava com um tumor tive um turbilhão de sentimentos. Medo. Raiva. Solidão. Desespero. Estar sozinha com uma criança que nem os médicos tinham certeza do que tinha, em uma cidade que você não tinha referências, é muito difícil. Fui a vários médicos aqui em Brasília e não sentia segurança em nenhum deles. Então escutei uma vozinha falando lá dentro de mim: “Vai pra Cuiabá, vai pra perto da sua família. Abuse do amor que eles têm pra te dar!” E foi o que fiz. Peguei meu filhote e partimos. Tem certas horas que a gente cansa de decidir, cansa de ter que pensar. A gente quer alguém pensando e decidindo por nós.
Quando cheguei lá, achei o que procurava. Tive apoio dos meus irmãos, meu pai, minhas cunhadas, meus tios e tias. E até de pessoinhas bem pequeninhas, meus sobrinhos, que me deram paz e uma overdose de amor. Deles todos recebi o grande prazer de poder novamente me sentir numa família, A MINHA FAMÍLIA.
E agora estou precisando deles novamente. Muito mesmo. Preciso respirar família, sentir família. Mas desta vez é por um motivo mais que especial. Além da saudade, é claro, eles vão conhecer o “Amor das minhas vidas”. Vão ver o quanto estou feliz. Isso mesmo, vão ver, porque saber eles já sabem.

Ah, e o meu filho, o Matheus, ele retirou o tumor, que felizmente era benigno. Ele está super lindo e bem. Hoje o Teteus tem 15 anos.