quinta-feira, 2 de julho de 2009

QUERO TE DEVORAR

Pablo Neruda - Cien sonetos de amor

Tengo hambre de tu boca, de tu voz, de tu pelo,
y por las calles voy sin nutrirme, callado,
no me sostiene el pan, el alba me desquicia,
busco el sonido líquido de tus pies en el día.

Estoy hambriento de tu risa resbalada,
de tus manos color de furioso granero,
tengo hambre de la pálida piedra de tus uñas,
quiero comer tu piel como una intacta almendra.

Quiero comer el rayo quemado en tu hermosura,
la nariz soberana del arrogante rostro,
quiero comer la sombra fugaz de tus pestañas

y hambriento vengo y voy olfateando el crepúsculo
buscándote, buscando tu corazón caliente
como un puma en la soledad de Quitratúe.

Tenho fome de tua boa, de tua voz, teus cabelos,
e pelas ruas vou sem me nutrir, calado,
não me sustenta o pão, a aurora me desconcerta,
procuro o líquido som de teus pés pelo dia.
Faminto estou de teu sorriso resvalado,
de tuas mãos cor de furioso celeiro,
tenho fome da pálida pedra de tuas unhas,
quero comer tua pele como intacta amêndoa.

Quero comer o raio queimado em tua beleza,
o nariz soberano do arrogante rosto,
quero comer a sombra fugaz de teus cílios

e faminto venho e vou farejando o crepúsculo
buscando-te, buscando teu coração ardente
como um puma na solidão de Quitratúe


Esse é o meu segundo poema preferido do Neruda. Essa frase pra mim é uma das mais lindas que já li na vida: "busco el sonido líquido de tus pies en el día." Meu Deus!


Tenho vontade de comer o meu amado, mas no sentido literal da palavra. Devorar, arrancar um pedaço e mastigar. Vestir-me dele, como se fosse o meu sobretudo.

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