terça-feira, 15 de dezembro de 2009

AS BRASAS

Compartilho com vocês hoje uma descoberta. Um autor que ainda não conhecia e a quem fui apresentada pela atendente da livraria Cultura aqui de Brasília. Os que me conhecem sabem que devoro livros. Leio no mínimo de 2 por mês. Quando estou em semana de folga, ou de férias, esse número pode até dobrar. Pois é, amo mesmo ler! E adoro ser apresentada a novos escritores. Não só novos porque estão começando agora, mas também novos pra mim. Desde a adolescência sempre fui encantada pelos escritores e poetas de língua latina: José Saramago, Pablo Neruda, Isabel Allende, Carlos Ruiz Zafón, J.J. Benítez, Mário Vargas Llosa, Gabriel García Márquez, Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes, Clarice Lispector, Cecília Meireles, Ruy Castro, Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, entre outros. Era meio avessa a ler autores americanos, ingleses, russos, alemães... Não sei porque, mas achava que eles não tinham a mesma paixão para escrever que os nossos de língua latina. Sei lá, acho que era coisa de adolescente. Com a maturidade veio também a vontade de experimentar o novo - o novo pra mim. Comecei com Ian McEwan, Le Clézio, depois as belíssimas obras de Orhan Pamuk, que quase fiquei sem fôlego lendo, porque começava e não queria parar. 

Agora, como já havia mencionado, fui apresentada à Sándor Márai. Amei! Simplesmente o livro As Brasas tem um texto primoroso, delicado, sensível... Já postei um trecho dele aqui, no Revivendo a Poesia, sobre a amizade. Márai morreu em 1989 - suicidou-se com um tiro de revólver. Ele era húngaro e As Brasas ficou censurado em seu país de 1942 - data da publicação - até 1990. Digamos que Sándor Márai foi redescoberto agora e suas obras estão sendo publicadas em vários países. 

Quem se aventurar a ler As Brasas certamente vai conhecer um pouco da personalidade forte e inquieta de Márai. Ele, segundo Marinella d'Alessandro (tradutora das obras de Márai para o italiano), tinha um profundo mal-estar existencial que nunca o abandonou. Talvez esteja aí a minha identificação com Sándor Márai e sua obra - somos um pouco parecidos nesse mal-estar que não sei explicar o porquê nem de que. No livro, quando o velho general solitário e rancoroso, Henrik, começa o seu monólogo, indaga e também dá muitas respostas sobre a vida e o Homem. Para Henrik, que esperou 41 anos por uma revanche contra seu melhor amigo, "o homem compreende o mundo um pouco de cada vez e depois morre". Espero que um dia eu possa entender pelo menos o meu mundo, antes da dona Morte chegar!

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