domingo, 25 de outubro de 2009

QUERO

Carlos Drummond de Andrade

Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

do livro As impurezas do Branco, 1973


Essa linda poesia, do mais lindo ainda Drummond, eu recebi esta semana da minha também linda amiga Dani. Ela me enviou por e-mail e escreveu apenas isto: sua cara!
Realmente, minha cara e a cara do Revivendo a Poesia. Essa poesia, que não me lembrava de ter lido antes - e olha que amo Drummond e leio desde que me entendo por gente -, diz tudo, e diz à exaustão, porque é muito bom dizer EU TE AMO e é muito bom ouvir EU TE AMO. Mas não esse EU TE AMO da boca pra fora, que agora é moda entre os adolescentes. O EU TE AMO gostoso de ouvir é aquele dito não só com a boca, mas com o corpo todo. Sim, com o corpo todo, porque o corpo diz muito mais que a boca. E esse EU TE AMO, dito com o corpo todo, eu tenho o privilégio de dizer todos os dias e de ouvir também de 5 em 5 minutos. Quero dizê-lo e ouvi-lo sempre, até quando estiver bem mais velhinha que hoje, voz rouca, trêmula, ouvido curto... mas ainda quente de amor!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

ALIANÇA DE VIDA



Foi assim não só porque Deus quis que fosse. É assim, agora, porque trabalhamos para chegar até aqui. As conquistas foram estudadas, discutidas e “conquistadas” juntos. O meu lugar não só na nossa cama, mas no coração dele foi sendo ocupado devagarzinho, passo a passo. Sabia que era ele e que era questão de tempo tê-lo mais uma vez, agora nesta vida. Foi o que aconteceu.

Hoje, esta aliança – não a de ouro branco que carrego na minha mão esquerda, réplica da dos seus pais, mas a da nossa vida -, preencheu todos os espaços vazios que foram deixados nesta e em outras estadas aqui. Eu reencontrei o Amor das minhas vidas, meu caminho, meu pouso feliz. Corpo e alma estão juntos novamente num santuário inimaginável, mas real, muito real: o Amor!