domingo, 20 de setembro de 2009

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

MONSTRO INDECIFRÁVEL

"Que espécie de bicho é este: mãe. Se eu fosse apenas uma mulher, talvez conseguisse manter minhas opinões intactas do berço ao túmulo, mas sou mãe, do planeta Maternidade, um monstro indecifrável, que ora acarinha e ora rebate, que não mantém muita coerência com o que diz e faz, uma esquisitona entre os mortais."

Esse texto foi tirado do livro Tudo que eu queria te dizer - de Martha Medeiros. Tem tudo a ver com o momento que passo com um filho adolescente, que - por conta disso mesmo, adolescência - acha que é o dono do mundo e que sabe mais do que todos. Já fui adolescente, há séculos - claro -, mas não me lembro de ser assim, ou não me lembro de ser "tão" assim. Mas nunca me esqueci da minha mãe dizendo: "Ser mãe é padecer no Paraíso." Agora entendo o que ela queria dizer, e tenho certeza que ela também se sentia assim, como nesse trecho do livro da Martha.


Então, minha linda mãezinha, é pra você que dedico esse texto. Tenho certeza que daí de onde está, também está um pouco aqui comigo neste meu momento tão antagônico, que hora é de felicidade estonteante e hora de tristeza explosiva. Afinal, sou mãe, este monstro indecifrável.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

TRISTEZA

Já dizia o poeta: "Tristeza não tem fim, felicidade sim." Não concordo, pelo menos comigo essa história não funciona. É engraçado, não sei se com você acontece assim também. Mas muitas vezes eu estou super cansada, triste, chorando de sei lá o que, mas ao mesmo tempo paro e penso: "Nossa, o que está acontecendo comigo, eu sou feliz, estou feliz, mas estou triste ao mesmo tempo? Como isso é possível?"


Pois é, isso é possível. Pelo menos comigo é. Tem dias em que eu acordo triste, muito triste mesmo, com uma tristeza que parece que não vai sair de dentro de mim. Dá vontade de me fechar em mim e me perder, para nunca mais ser achada, nunca mais falar, nunca mais rir. Só tenho vontade de chorar, ficar sozinha, não sair da cama. É como se a tristeza fosse tomar conta de cada pedaço meu.

Mas sabe como é que ela não assume o meu corpo? Porque percebo que muitas vezes toda essa tristeza está relacionada ao cansaço. É como se o meu corpo confundisse as duas coisas e não conseguisse separá-las. Tristeza e Cansaço são diferentes, mas meu corpo não aceita e cobra de mim uma conta que não quero pagar. Ele – meu corpo – me faz chorar, me faz ficar mal humorada, me dá olheiras, me dá dores, me dá uma carga que, tem horas, parece que não vou suportar. Daí eu penso: “Mas não é ele, sou eu. Eu estou fazendo o meu corpo receber uma carga muito maior que o limite aceitável. Não posso fazer isso, tenho que continuar minha vida sendo feliz e tentar não me esgotar.”

E é isso, essa consciência que me faz levantar, trabalhar, sorrir, não tombar e também chorar, porque faz parte, limpa os canais, renova a alma. Ficar triste é perfeitamente compreensível nesta vida que vivemos. Mas tristeza tem fim sim, e ponto final.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

...

“Eu resisto e sei que vou morrer na esperança, dentro da esperança: é preciso explicar porque o mundo de agora, que é horrível, não passa de um momento no longo desenvolvimento histórico. Ainda vivo profundamente a esperança como concepção do futuro.”
Jean-Paul Sartre
Testamento Político
24 de março de 1980